EMEF Altina Ana
da Conceição
“ (...) Todo
amanhã se cria num ontem, através de um hoje (...).
“Temos de saber o que fomos para saber o que
seremos.”
Sabias são as
palavras do educador Paulo Freire e também a inspiração da EMEF .... Localizada
na Comunidade Quilombola da Ingazeira em
participar deste projeto apresentando a ancestralidade africana a que muito tem a nos dizer a saber que:
No Brasil, uma das matrizes que informam a tradição oral diz respeito às
influências dos africanos aqui escravizados que para cá vieram, guardiões e
guardiãs responsáveis por recriar a memória dos fatos e feitos de seus
antepassados, resinificando a vida nos novos lugares de morada. Foram também
poetas, músicos, dançarinos, estudiosos, mestres, conselheiros, denominados, de
modo geral como contadores de histórias.
![]() |
| Baobá, a árvore do esquecimento |
Diz a lenda que
antes de serem embarcados nos navios negreiros, os escravizados africanos, sob
chibatadas, eram obrigados a dar dezenas de voltas em torno de um imenso baobá
– também chamado de embondeiro, em alguns países –, enquanto negavam seus
nomes, suas crenças, suas origens, seu território, enfim, sua essência, para em
seguida serem batizados com uma identidade cristã-ocidental e enviados para o
cativeiro. Por isso, o baobá passou a ser chamado de a “árvore do
esquecimento”, afinal, os “esquecidos” teriam deixado depositadas ali, no tal
baobá, suas verdadeiras identidades e memórias.
Após darem as
diversas voltas na lendária arvore os negros e negras lotavam os porões dos
navios negreiros numa viagem infernal como declamou Castro Alves no seu Navio
Negreiro:
São os filhos do deserto,
Onde a terra esposa a luz.
Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão. . .
Vindos dos
principais portos africanos : Luanda, Benguela , Cabina e Benim, ao chegar aqui
estes africano reconstruí o continente africano em terras brasileiras . Os
estados Rio de Janeiro, Minas Gerais,
São Paulo, Rio Grande do Sul , Recife e Bahia este último o mais representativo
de todos os estados.
A Embora não haja até o momento nenhum
registro ou pesquisa que possa indicar com exatidão quando os negros chegaram a
essa região, o certo é que a contribuição destes para formação socioeconômica e
cultural do Baixo sul da Bahia e visível. O fato é que de forma lenta e gradual
os negros aportaram por aqui, como discorre Antonio Risério (2003, p. 140) “a
não ser por raros desembarques, os negros demoraram um pouco a chegar no
litoral sul [da Bahia], e nunca chegaram aqui massivamente, como ocorreu na
Bahia de Todos os Santos”
![]() |
| Negros - Imagem Ilustrativa | www.diariodaliberdade.org |
As observações de Risério
indicam ainda que como em outras regiões do país, aqui também houve resistência
ao sistema escravista, argumentando que
a região da Bahia que mais proliferou a formação de quilombos foi a dos
distritos sulinos de Cairu, Camamu e Ilhéus. Atualmente no Estado da
Bahia são 258 comunidades Remanescentes Quilombolas, no território do Baixo Sul
encontram-se mais de 40 dessas comunidades, em Ituberá, são cinco as
comunidades até o momento certificadas pela Fundação Cultural Palmares, a
saber: A comunidade de Lagoa Santa e Ingazeira, certificadas em 2005; Brejo
Grande e São João de Santa Bárbara em 2006 e a Comunidade dos Cágados em 2007.
![]() |
| Líderes da Comunidade do Quilombo da Lagoa Santa |
![]() |
| Líderes da Comunidade do Quilombo da Ingazeira |
Tais
comunidades se caracterizam como remanescentes quilombolas por consistirem em grupos que desenvolvem
praticas cotidianas de resistência na manutenção e reprodução dos seus modos de
vida característicos e na consolidação de um território próprio. De acordo o
Antropólogo e Historiador José Maurício Arruti (2006) essas comunidades representam
uma categoria social relevante no meio rural brasileiro, dando nova tradução
àquilo que era conhecido como comunidades negras rurais e remetem, em regra –
não exclusivamente –, ao período da escravidão, ou seja, muitas delas têm a sua
origem no pós-abolição, o que parece ser o caso das comunidades aqui do
Município de Ituberá.
Essas
comunidades utilizam as terras por elas ocupadas para a garantia de sua
reprodução física, social, econômica e cultural. Encontram-se viva nelas
praticas culturais que evidência a ancestralidade
negra desses grupos, a exemplo do Samba de Roda e Marinheiro, onde homens e
mulheres dançam e cantam numa coreografia empolgante, em que as mulheres
sambadoras parecem flutuar ao som dos instrumentos em muitos casos – mas não
unicamente – confeccionadas artesanalmente, e das chulas e quadras entoadas por
todos.
| Terno de Reis da Lagoa Santa |
Um bom exemplo das raízes ancestrais
dessas comunidades com a mãe África é o relato do major Dias de Carvalho apud Edison Carneiro ao descrever esse
tipo de dança de roda em Luanda:
A dança é sempre de roda, e ao centro dela estão os
tocadores de um, dois e três, e às vezes mais instrumentos de pancada... O
passo é quase sempre o mesmo, variando em ser mais ou menos apressado conforme
o andamento da música. Ginga-se mais ou menos também o corpo, andando-se sempre
em roda, mudando-se de posição segundo as danças. Os cantos são sempre
melodiosos (1982, p. 30).
Destacam-se ainda como patrimônio cultural nessas
comunidade, as brincadeiras de roda, configurando-se como um dos mecanismos de
lazer para as crianças. As
Comunidades Remanescentes de Quilombos são exemplos de resistência e luta na
preservação dos seus valores culturais, esses permanecem vivos na memória dos
habitantes dessas comunidades e se expressam através da oralidade (TEIXEIRA,
2009), onde manifestações culturais, praticas religiosas, modos de produção e
de sociabilidade são transmitidas de geração a geração.
![]() |
| Ilê Ayê - O primeiro bloco afro do Brasil |
Referências:
SILVA, Egnaldo
Rocha. Ituberá: breve histórico.
Ituberá-BA. Texto escrito a pedido da Sec. de Cultura e Turismo, 2011.
REVISTA KAWÉ.
Universidade Estadual de Santa Cruz- UESC, Núcleo de Estudos Afro- Baianos
Regionais. Ilhéus- Ba , Editora Editus 2011.
Poema:
Navio Negreiro (Castro Alves)
Poema:
Navio Negreiro (Castro Alves)





Nenhum comentário:
Postar um comentário